terça-feira, 30 de setembro de 2008

Parabéns Pai...


Toda a gente sabe que sou a menina do Papá...
E depois?! Não vejo mal nenhum nisso.
Muito se poderia escrever aqui sobre a nossa relação.
Ela transcende o parentesco.
Ela transcende tudo!!

Gosto do teu abraço apertado e das tuas festinhas e narigadas.
Da timidez dos teus "sims", quando teimo seguir o meu caminho.

Gosto da tua ponderação.
Da nossa cumplicidade e das tuas palavras, quando preciso decidir.

Gosto de trocar sms contigo... trocamos tantos...
Gosto daqueles em que acabamos a falar ao telefone e a rir como se não houvesse amanhã.
Gosto daqueles em que escreves "e já não te respondo mais ;-)"
Não gosto quando ficas acordado à minha espera e depois dizes "não tenho sono".
Não gosto quando gozas com o meu Sporting.
Não gosto quando teimas sem ter razão!
Gosto de te ter tatuado em mim.

Obrigado PAI, por teres-me feito gente,
e por esse motivo, no dia do teu aniversário
eu só posso estar dizer que te Adoro!

PARABÉNS!
P.S. - daqui a pouco cantamos-te em coro... e o L. sopra as velas e bate palmas ;-)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Primeiro dia do resto das nossas vidas ;-)


Agora só me ocorre dizer...
"Siga para Bingo"

P.S. - Agora que "passaram as dores de barriga"...
À nossa sócios ;-)

Confort Food...


Para mim, uma boa pasta é mesmo isso... reconfortante!
Gosto de comer e gosto de a cozinhar.

Hoje foi dia de a comer, sem cozinhar.
Almocei com a N.
Não, não estou a ser egocêntrica. Há vida para lá do meu umbigo.

Almocei com a minha prima N.
Para não variar, rimos, chorámos.
É sempre uma emoção quando estamos juntas.
É bom ver como há medida que os anos passam estamos cada vez mais próximas.
É bom ver como a vida nos corre...
É muito bom quando estamos juntas ;-)

Só é pena a hora de almoço voar.

Gosto muito de ti N.
Beijos para ti, para o R., para a M. e para o G.
desta N.

P.S. - O Spaghetti de Bacalhau estava uma delícia;-) Eheheheh.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Parabéns K...


Hoje o F., mais conhecido por K., faz anos!!

O K. vai ter direito a quatro festas... Quiçá uma por cada ano ;-)
Ele é festa na escolinha, em casa dos Pais, com os Amiguinhos em casa e com os Crescidos...
Ele merece!! É um querido ;-)

A tia N. vai fazer chegar o teu presente a Santo Estevão, boa?!
E olha que não é o arroz de pato que a avó M. vai fazer, até porque a Tia não come arroz de pato :-P

Um dia em grande para ti,
muitos beijos da tia N.

Adivinha...



Adivinha o quanto gosto de ti, by André Sardet

"Gosto de ti, desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a lua até aqui.
Gosto de ti simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim..."

Melhor que isto? É impossível.
Por isso, é que acho que nunca é de mais dizer...

Gosta-se por que sim.
Não se explica, sente-se!!
E é tão bom viver assim...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mulher...

"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.

Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos.

Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos.Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem.

Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.

Explico: no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas. "O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte, eu dou 3 por noite" e outras cascatas típicas da "macheza" latina.

Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.

Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico.

Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres.
Constatem, é fácil.

Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam com quase metade da lição estudada.

Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.
Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.

Já com os homens a historia é outra.

Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores?
Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas?
Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS?
Não, nunca viram e nem hão-de ver.

Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.
O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos.
Aí reside a maior diferença.
O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição.
Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos.
Falo sem o menor pudor. Sou assim.
Todos os homens são assim.

Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia.
Porque todas as mulheres são lindas. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.
É só saber olhar. Todas têm a sua graça.
E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.
Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.
Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal.
E esse, é o seu único defeito."

Texto de Sérgio Gonçalves, redactor da Loducca, publicado no jornal da agência.

As Mulheres têm os fios desligados...


"Há uns tempos a Joana-Pai,
acabei um namoro à homem!

Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.

O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de:
-já não gosto de ti
De:
-não quero mais

Chegam com discursos vagos, circulares:
-preciso de tempo para pensar
-não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
Ou declarações do género de:
- tu mereces melhor
-estive a reflectir e acho que já não te faço feliz
-necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta.

E aos amigos:
-dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata
-custou mas foi
-amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
-chora um dia ou dois e passa-lhe.

E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres.

Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça.

Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore ) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?

Lembro-me de um sujeito que explicava:
- o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safoE depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.

O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- as mulheres têm os fios desligados…

E outro elucidou-me que eram como os telefones:
avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa pare que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres.

Se informam:
-já não gosto de ti
Se informam:-não quero mais...

Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos.

A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham.

Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)

- O problema não está em ti está em mim a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre.

Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção.

Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres.

E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto.

Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.

Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim.
A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros.

O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas?

Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual:
- mereces melhor que eu
levou com a resposta:
- pois mereço. Rua!

Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua.

A mesma amiga para uma amiga sua:
- o que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua:
- Manda-lhas. Pode ser que façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome.

Perguntei à minha amiga:
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.

Ontem jantámos juntos.
Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me."

– Crónica – António Lobo Antunes, in Visão nº 804 de 31/Jul/08